Gesivan e a Banca de Revistas mais democrática de Maceió

Gesivan Rodrigues na Banca Nacional

Desde de 1960 que os maceioenses convivem com a Banca de Revistas Nacional, do Gesivan Rodrigues Gouveia. Sempre bem abastecida, a Banca é uma referência para leitores de várias camadas sociais, mas notabilizou-se nos anos 70 e 80 pela especial clientela de intelectuais, artistas e políticos.

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Banca do Gesivan ao lado do antigo Hotel Lopes

Era o tempo em que o semanário Pasquim era um dos mais aguardados no início da semana. As reservas eram disputadas, já que ninguém queria ficar sem o famoso “hebdomadário” carioca, que sempre estava sujeito a apreensões pela Polícia Federal.

Em novembro de 1970, quando a Ditadura Militar prendeu os jornalistas da redação do Pasquim, houve uma onda de solidariedade em todo o país. A Banca do Gesivan naturalmente passou a ser o ponto de encontro dos seus leitores, que formavam rodas de conversa em que se discutia a censura.

Gesivan, em recente depoimento à Comissão da Verdade dos Jornalistas, lembrou como se dava a censura: “Eles chegavam, prendiam os jornais e levavam a gente para a Polícia Federal, ali em cima da Igreja Catedral (Mirante de São Gonçalo). Tinha o “seu” Porto, que era o censor. Ele perguntava de onde tinha vindo o material. Eu respondia que tinha vindo da distribuidora e que estava vendendo o que recebia da distribuidora. Ele conversava, mas liberava. Qualquer apreensão que tinha, ele vinha logo na banca”.

No início dos anos 80, a Ditadura já estava bastante enfraquecida, mas continuava a tratar os jornais da chamada imprensa alternativa como inimigos. Bancas de revistas passaram a sofrer atentados em todo o país. Os seus proprietários, temendo os danos, deixaram de vender esses jornais, o que decretou o fim do Pasquim.

Hotel Lopes nos anos de 1940

Hotel Lopes nos anos de 1940

Em Maceió, Gesivan teve a sua banca danificada com uma tentativa de incêndio. Ele continuou expondo os tabloides de oposição e, graças ao apoio das organizações que lutavam contra a ditadura, manteve-se como um dos poucos que vendeu do primeiro ao último exemplar do Pasquim.

“Houve uma época que houve quebra-quebra de banca. Naquela época houve um movimento muito forte por aqui. O Aldo Rebelo, que hoje é ministro, se juntou com o pessoal do PCdoB e fez um movimento aqui, que reuniu muita gente. Era contra a Ditadura, que estava incendiando as bancas. Eu recebi várias ameaças, mas o movimento em apoio a minha banca fez baixar a pressão. Mas tentaram incendiar. Eles também vinham e arrancavam os cartazes que eu colava, mas depois do ato eles não vieram mais aqui”, lembra Gesivan.

Sobre a censura a jornais alagoanos, Gesivan lembra que só houve uma. “A única apreensão que teve foi a da Tribuna, que era na Rua do Sol. Eles disseram que era porque tinha uma matéria contra o sistema. Isso foi em 1979 ou 1980”.

Gesivan está com a Banca na Praça do Montepio há 55 anos, hoje ao lado do velho casarão do antigo Hotel Lopes, mas já esteve na Praça. Ele e sua banca já fazem parte da história e da cena urbana de Maceió.

4 Comments on Gesivan e a Banca de Revistas mais democrática de Maceió

  1. Matéria como essa nos permite não esquecer tempos tenebrosos que vivenciamos em passado recente.É parte de nossa História.

  2. Ciro Pimentel Veras // 27 de maio de 2015 em 09:20 //

    Gesivan é uma cara genial, jornaleiro desde menino, figura culta, inteligentíssimo e grande amigo meu, um cara que respeito e admiro muito! Um cara que faz parte da história de Maceió, e só para lembrar, faz aniversário no dia 29 deste mês de maio! Merece todas as homenagens!

  3. EDNALDO MAIORANO // 27 de maio de 2015 em 11:32 //

    ESTIMADO GESIVAN, É PATRIMÔNIO CULTURAL DE MACEIÓ. SUA “BANCA”, É RECHEADA DA BOA CULTURA. ALÉM DISSO, HOMEM DE FINO TRATO. ESSE É CIDADÃO INCORPORADO À MAESTRIA CULTURAL DE MACEIÓ

  4. Luiz Araújo // 17 de junho de 2017 em 12:21 //

    Conheço Gesivan e sua banca desde a minha infância. Um sujeito super gente fina tal qual seu falecido pai. Podemos considera-lo como uma figura folclórica de Maceió – que resiste com sua banca a danada da passagem do tempo. Nossas homenagens ao grande Gesivan.

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