Aristheu de Andrade, o poeta que deu nome a menor avenida de Maceió

Avenida Aristeu de Andrade em 1925

A Avenida Aristheu de Andrade, no Farol, é uma das primeiras vias do Alto do Jacutinga, em Maceió. A construção mais antigo no local foi o Paiol de Pólvora, que depois foi adaptado para dar lugar à Igreja de São Gonçalo do Amarante.

Chafariz na Av. Aristeu de Andrade nos anos 60

Chafariz na Av. Aristheu de Andrade nos anos 60

O primeiro registro do Alto do Jacutinga como bairro é de 1902. Félix Lima Júnior identifica a Av. Aristeu de Andrade como sendo a Rua do Seeger. Esta denominação tem relação com Hans Seeger, vice cônsul alemão em Alagoas em 1903, que tinha um escritório de representação na Rua do Comércio e construiu uma casa onde depois foi instalado o Colégio Batista Alagoano. Rua do Seeger foi aportuguesada para Rua do Zeiga (a pronúncia em alemão é bem próxima disso).

O fato de ter duas pistas separadas por um canteiro elevou a curta via à categoria de avenida. Seu equipamento mais conhecido é a Capela de São Gonçalo, que um dia já foi o Paiol da Pólvora de Maceió.

As primeiras notícias sobre alguma atividade nesta área de Maceió são encontradas no jornal “Cruzeiro do Norte”, de 27 de janeiro de 1893.

A notícia é de que na festa de São Gonçalo do Alto do Jacutinga “funcionará um quilombo em frente à capela e o brinquedo dos galos”.

Avenida Aristeu de Andrade nos anos 80. Foto de Plínio Nicácio

Avenida Aristheu de Andrade nos anos 80. Foto de Plínio Nicácio

O atual nome da via é uma homenagem a Manoel Aristeu Goulart de Andrade (Maceió 3 de setembro de 1878 – Maceió 8 de junho de 1905). Foi poeta, professor advogado.

Era o filho mais velho do oficial de Marinha Manuel Cândido Rocha de Andrade e Leopoldina Pimentel Goulart de Andrade. Aos 15 anos matricula-se  no Liceu Alagoano.

Depois de trabalhar no comércio,por dois anos na firma Almeida Guimarães & Cia, foi nomeado para a secretaria da Chefatura de Polícia da capital, onde permaneceu por um ano.

Em seguida, no dia 14 de abril de 1896, viaja para estudar na Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia, mas uma pneumonia obrigou-o a abandonar o curso no mesmo ano.

No dia 15 de outubro de 1996, perde o pai, que vinha doente e sofrendo há três anos.

Em 1897, decide retomar os estudos superiores, mas desta feita vai para Pernambuco, onde diploma-se em Direito pela Faculdade do Recife no dia 7 de dezembro de 1901. Na capital pernambucana, colabora com vários jornais e trabalha no escritório de advocacia de Adolfo Cirne e Henrique Malet.

Ainda cursava o 5º ano de Direito quando participa das eleições em Alagoas e é eleito deputado estadual para a legislatura 1901-02.

Dr. Aristheu de Andrade e sua esposa

Dr. Aristheu de Andrade e sua esposa Maria Peixoto de Andrade

Com a criação da  2ª Promotoria Pública da capital, Aristeu de Andrade ocupa o cargo por nomeação do governador Euclides Malta, determinada em portaria do dia 20 de dezembro de 1901.

Em 1903 é indicado para reger a cadeira de Pedagogia, Educação Cívica e Higiene Escolar do antigo Liceu Alagoano. No ano seguinte pediu transferência para a cadeira de História Geral.

Como jornalista, colaborou em vários periódicos alagoanos, destacadamente no O Gutemberg, onde passou a ser o redator chefe a partir de 1903, ajudando seu irmão Euzébio de Andrade. O Gutemberg foi fundado em 8 de janeiro de 1881.

Casou-se com Maria Peixoto de Andrade, filha do Coronel José de Sá Peixoto, mas não deixou filhos.

Quando suicidou-se, na madrugada do sábado, 8 de julho de 1905, com apenas 27 anos de idade, exercia interinamente o cargo de procurador da República em Alagoas e já vinha dando sinais do sofrimento que a depressão lhe causava. Suas poesias são carregados de tristeza, com manifesta vontade de abandonar o mundo. Morava no Alto do Jacutinga, na rua que recebeu seu nome.

Após a sua morte, Maria Peixoto de Andrade, que era uma mulher inteligente e culta, foi morar na Alemanha onde fez votos para freira e entrou para a ordem das “monjas que não falam”. Era sobrinha do Marechal Floriano Peixoto.

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