Augusto Malta, o alagoano que melhor fotografou o Rio de Janeiro

Praça XV de Novembro (antigo largo do Paço), no Centro do Rio, em 1906, fotografada por Augusto Malta
Augusto Malta

Augusto Malta

O fotógrafo Augusto César Malta de Campos nasceu em Mata Grande, Alagoas, no dia 1º de maio de 1864. Desembarcou no Rio de Janeiro em 1888, já com 24 anos de idade. Trabalhou como auxiliar de escrita e depois contador. Chegou a ter seu próprio armazém, mas faliu rapidamente.

Tinha voltado a negociar, vendendo tecidos, quando, em 1900, recebe a proposta de um freguês, que queria trocar sua bicicleta, que usava para levar amostras às casas das madames cariocas, por uma pequena máquina fotográfica.

Augusto Malta aceitou a permuta e isso mudou a sua vida. Passou a fotografar amigos, familiares e o cotidiano da cidade por conta própria. Até que um amigo o levou para registrar as primeiras obras do novo prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos.

Augusto Malta utilizando um antigo equipamento fotográfico

Augusto Malta utilizando um antigo equipamento fotográfico

Como o resultado foi muito bom, o prefeito criou um cargo exclusivo para Malta, que deveria documentar o antes e o depois das obras públicas, bem como sua execução e inauguração, além de festas organizadas pela prefeitura e demais eventos que acontecessem na cidade.

Nessa função, a de fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro, permaneceu por 33 anos, conseguindo registrar as principais obras de modernização da então capital federal, que passou por um processo de reurbanização para se equiparar às grandes cidades europeias.

O autor do Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro, Boris Kossoy, afirma que Malta aprendeu parte de seu ofício com ninguém menos que Marc Ferrez (1843-1928), um dos principais fotógrafos brasileiros de todos os tempos. “Deve-se a Augusto Malta a mais importante documentação fotográfica do Rio de Janeiro das três primeiras décadas do século 20”, avalia Kossoy.

George Ermakoff, autor do livro Augusto Malta e o Rio de Janeiro – 1903-1936, revela o diferente olhar que Malta tinha sobre a cidade: “Numa época em que a maioria dos fotógrafos trabalhava em estúdios ou fazia imagens um pouco artificiais do Rio, ele fotografava cenas sociais. Além das obras, havia o cotidiano da cidade, prostitutas, escritores, personalidades”.

Avenida Central, atual Rio Branco e Cinelândia. Foto de Augusto Malta

Avenida Central, atual Rio Branco e Cinelândia. Foto de Augusto Malta

Malta atuou quase sempre sozinho, sem ajudantes. Além da função na prefeitura, ele fazia trabalhos particulares, editava cartões-postais e fazia registros sob encomenda de empresas como a Light.

O fotógrafo assinava todos os negativos de vidro com tinta nanquim, de trás para a frente, e sempre colocava data, local e uma pequena legenda na imagem. Ele chegou a publicar um Álbum Geral do Brasil, com retratos inéditos de cidades brasileiras.

Além do Rio, Malta fotografou municípios de Minas Gerais, Alagoas e São Paulo. O fotógrafo usava equipamentos ainda do fim do século 19, mas recorria a chapas de vidro de maior sensibilidade. “Isso fazia com que ele conseguisse colocar a câmera nas ruas, apesar de grande e com tripé, e captar aquele momento. A linguagem dele se beneficiou disso”, diz o coordenador da área de fotografia do Instituto Moreira Salles, Sérgio Burgi.

Embora não tenha trabalhado exatamente como repórter fotográfico, Malta era membro da Associação Brasileira de Imprensa e cedeu imagens para jornais e revistas. Segundo Ermakoff, ele tinha o apreço dos jornalistas. “Os repórteres faziam ponto em sua sala para saber da agenda do prefeito. Era ele quem os recepcionava.”

Rio de Janeiro em foto de Augusto Malta

Rio de Janeiro em foto de Augusto Malta

Em 1936, Augusto Malta se aposentou e deixou o filho Aristóginton como substituto na prefeitura. Em casa, ele continuou a se dedicar à fotografia até poucos anos antes de falecer, no dia 30 de junho de 1957, aos 93 anos.

Amalthea, filha do fotógrafo, conta que ele trabalhou até quase os 90 anos e morreu pobre, apesar de não ter deixado dívidas. Em depoimento gravado para o Museu da Imagem e do Som (MIS-RJ), ela descreve o pai como um homem muito ocupado, mas nem por isso desatento: “No fim do mês, queria saber as notas. E eu fazia esforço para não ser observada”.

Augusto Malta (último sentado à direita) na fundação da Associação dos Fotógrafos de Imprensa do Rio de Janeiro Revista Fon-Fon de 1º de novembro de 1913. Foto J. Garcia

Augusto Malta (último sentado com o chapéu no joelho) na fundação da Associação dos Fotógrafos de Imprensa do Rio de Janeiro. Revista Fon-Fon de 1º de novembro de 1913. Foto J. Garcia

Augusto Malta teve duas esposas e nove filhos – cinco do primeiro casamento e mais quatro do segundo. Seu legado compreende mais de 30 mil negativos – infelizmente, boa parte foi deteriorada pela ação do tempo ou má conservação. Seu acervo está espalhado em várias instituições, como o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (que mantém um portal em homenagem a ele na internet), a Biblioteca Nacional e o Instituto Moreira Salles.

Sua coleção, adquirida pelo Banco do Estado da Guanabara, em 1964, para integrar o acervo do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro é constituída por 20 mil fotografias, 20 álbuns fotográficos com imagens selecionadas pelo próprio Malta, 2.400 negativos de vidro e 115 negativos panorâmicos. Desse acervo, 11.500 fotografias já se encontram digitalizadas, além de 167 documentos textuais com correspondência, cadernos de notas, etc.

Fontes: Guia do Estudante e Secretaria Estadual da Cultura de Alagoas.

2 Comments on Augusto Malta, o alagoano que melhor fotografou o Rio de Janeiro

  1. Márcia Martins Olimpio // 18 de setembro de 2015 em 00:23 //

    Olá, convido você a assinar e COMPARTILHAR o abaixo assinado que criei para que a prefeitura do Rio de Janeiro homenageie o mestre da fotografia, o ILUSTRE ALAGOANO Augusto Malta com uma escultura. Agradeço!
    https://www.change.org/p/prefeitura-do-rio-de-janeiro-escultura-em-homenagem-a-augusto-malta?recruiter=372851192&utm_source=share_petition&utm_medium=facebook&utm_campaign=share_facebook_responsive&utm_term=des-md-google-no_msg

  2. fernando campos // 16 de junho de 2016 em 10:33 //

    vejam um resumo da carreira de malta no meu blogue maltapublico. podem transcrever trechos desde que usem aspas e citam a fonte. ok. fernandocampos

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