Aloísio Branco, o poeta dos versos longos

Da esquerda para direita Graciliano Ramos, Aloísio Branco, Théo Brandão, José Auto, Rachel de Queiroz e Valdemar Cavalcanti
Valdemar Cavalcanti, Graciliano Ramos, Aloísio Branco, Rachel de Queiroz e seu marido José Auto em Maceió, 1932

Valdemar Cavalcanti, Graciliano Ramos, Aloísio Branco, Rachel de Queiroz e seu marido José Auto em Maceió, 1932

Carlos Moliterno*

Aloísio Machado Bezerra Branco, na vida literária, Aloísio Branco, nasceu em São Luiz do Quitunde, a 6 de janeiro de 1909 e morreu em Maceió, a 4 de fevereiro de 1937. Era filho de Lindolfo Branco Bezerra e Maria Amália Alves Machado.

Estudou as primeiras letras no seu município e os preparatórios no Liceu Alagoano e no da Paraíba. Foi oficial de gabinete do Secretário Geral do Estado e, ao falecer, era funcionário da Administração do Porto de Maceió.

Colaborou em todos os jornais e revistas de Alagoas, na imprensa pernambucana e no Boletim de Ariel, do Rio de Janeiro. Formou-se pela Faculdade de Direito do Recife. Escreveu poesias, contos, crônicas, ensaios, artigos, pois era um espírito curioso por tudo o que fosse letra de forma.

Mas foi como poeta que o seu nome firmou-se entre os seus companheiros de geração, embora fosse também uma grande vocação de ensaísta. E os seus ensaios revelam a agudeza do seu espírito na apreciação de uma obra de arte. Agripino Grieco que o conheceu, chamou-o de “um intoxicado de literatura”, tal a gula com que lia um livro novo e procurava compreender os mistérios de uma nova teoria literária.

Pode-se dizer que aqui na província foi Aloísio Branco o poeta que melhor soube tirar efeitos rítmicos dos versos longos. Verifique-se a sua produção poética e aí teremos a frequência com que o poeta lança mão desse recurso para encontrar os seus efeitos sonoros. Tanto no poema da pequena viagem, como no em louvor ao telefone, sente-se que a sua mensagem não poderia caber nesses poemas de versos curtos e sons breves, porque era mesmo do seu temperamento, alongar-se na procura de um efeito mais rítmico para a sua poesia.

Talvez, como nenhum outro, daqui da província, foi Aloísio Branco o que mais se beneficiou dessa liberdade que o modernismo trouxe para a poesia. Podem argumentar que a história da- nossa literatura guardou os nomes de poetas de várias escolas que não necessitaram dessa liberdade para produzir poemas de boa qualidade. Mas aí é que há necessidade de um exame da questão sob ângulos diferentes. A necessidade de expressão de um poeta dos nossos dias, não pode ser medida, em paralelo, entre novos e velhos. Diversas são as experiências, corno diversos são os modos de ver e sentir. E não se esqueça de que a poesia, como qualquer outra forma de arte, tem de exprimir os sentimentos da sua época, tem de se inspirar nas angústias e nos prazeres da hora que passa. Daí porque não pode ter validade urna comparação entre os poetas que obedeciam a urna bitola para exprimir-se em versos, e os poetas de outras épocas que vivem num mundo diferente, num mundo de concepções revolucionárias e por isto não podem sentir as mesmas exigências dos seus antecessores.

Aloísio Branco não procura imitar. Com ele tivemos urna manifestação poética diferente daquilo que conhecíamos em matéria de poesia. Ele não foi um inovador, no sentido rigoroso, mas que deu à nossa poesia provinciana um sentido novo, urna dimensão diferente, não resta a menor dúvida.

*Do livro “Notas sobre poesia moderna em Alagoas”, de Carlos Moliterno, Departamento Estadual de Cultura, 1965.

*Título do editor.

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