A história do rádio em Alagoas

Palco da Difusora com o Elenco do Rádio Teatro em 1949

Primeiras experiências

A primeira experiência do rádio alagoano acontece em 1925, quando Mário Marroquim, que viria a ser o primeiro Diretor Geral da Rádio Difusora, e um grupo de idealistas alagoanos instalam a primeira rádio emissora em Maceió – Rádio Clube de Alagoas. Como ninguém queria investir num negócio duvidoso, o empreendimento durou pouco tempo.

Mário Marroquim discursa na inauguração da Rádio Difusora

Mário Marroquim discursa na inauguração da Rádio Difusora

Somente em 1933 é que Alagoas voltaria a ter uma rádio. A ousadia foi dos técnicos Jacques Mesquita e Luiz Gonzaga, que fizeram funcionar uma pequena emissora, chamada Estação Experimental, na Rua Dois de Dezembro, no Centro de Maceió, no primeiro andar da Farmácia Pasteur.

Haroldo Miranda, um dos fundadores da Rádio Difusora, se refere a esta emissora como sendo a Rádio Club de Maceió e relata que utilizava a frequência dos Correios e Telégrafos ilegalmente. Com a descoberta pelos Correios da rádio clandestina, cessaram as transmissões. Quem fez a denúncia foi o pernambucano Oscar Moreira Pinto. Ela estava provocando interferência em Catende, Pernambuco.

Ainda em 1933, Jorge Sá trouxe para Maceió a novidade do carro de som, um automóvel “OpeI” pintado de azul, com duas cornetas de alto-falante, que divulgava anúncios, músicas e informações de utilidade pública.

Em novembro de 1935, os locutores José Renato e Josué Júnior, e os técnicos Jacques Mesquita, Miguel Correia de Oliveira e Luiz Gonzaga, lançam o CRAF – Centro Regional de Anúncios Falados. Na verdade era um serviço de alto-falantes, que não demorou muito a fechar as portas.

 

1961 na Rádio Gazeta de Alagoas, o programa Tele Noite apresentado por Arnoldo Chagas, Cláudio Alencar, Luiz Tojal e Roland Benamor

1961 na Rádio Gazeta de Alagoas, o programa Tele Noite apresentado por Arnoldo Chagas, Cláudio Alencar, Luiz Tojal e Roland Benamor

Cláudio Alencar, no seu livro Histórias do Rádio, afirma que “o CRAF foi a grande experiência piloto para aqueles que, em 1948, viriam colocar a Difusora no ar”.

Arnaldo Paiva Filho registra que em Rio Largo, por iniciativa do Comendador Gustavo Paiva, houve uma tentativa de se instalar uma rádio. “A criação de uma estação de rádio em Rio Largo constava dos planos de Gustavo Paiva. A obra pioneira no Estado, localizada no prédio próximo onde remanesce a sua antena pretendia divulgar aos alagoanos a realidade vivida pelos operários das fábricas de tecidos Cachoeira e Progresso. Sua inauguração, em caráter precário, aconteceu no dia 15 de outubro de 1938, por ocasião das festividades comemorativas dos cinquenta anos de fundação da Companhia Alagoana de Fiação e Tecidos.

De fato, apesar de ter transmitido o evento para todo o território alagoano, o Interventor Federal Osman Loureiro, indicado para governar Alagoas durante o período conhecido por Estado Novo não permitiu a sua legalização. Acredita-se que o motivo tenha sido a circunstância de Alagoas não possuir na época rádio oficial”.

Antena da primeira Rádio em Rio Largo

Antena da primeira Rádio em Rio Largo

Dois anos depois, com o equipamento do extinto CRAF, foi instalado o Serviço de Alto-Falante de Maceió, cuja central ficava na Rua do Comércio, 600, trecho próximo à Praça dos Martírios, onde também funcionava o jornal A Voz do Povo, ligado ao PCB. Eram dezesseis bocas de som que atingiam a Rua do Comércio, Praça dos Martírios, Av. Moreira Lima e Praça do Mercado, e transmitiam anúncios e música popular. O patrocínio das transmissões era da Casa Funerária Arestor Marques.

Haroldo Miranda deixou registrado que conseguiu transmitir uma partida de futebol diretamente do Mutange utilizando uma linha telefônica surrupiada da Fábrica Alexandria e contando com um amplificador alimentado com energia da Força e Luz, também de forma irregular.

Em 1942, às 16 horas do dia 18 de agosto, no 1º andar do Quartel da Força Policial do Estado, é inaugurada a Estação Radiofônica Rosa da Fonseca, com a presença dos cantores Ciro Monteiro e Odete Amaral. Tinha o prefixo PYX-1 e transmitia em ondas curtas. Funcionou até setembro daquele ano.

Foi montada graças à iniciativa do tenente do Exército Clóvis Sabóia e destinava-se a promover a Campanha dos Metais, necessária ao esforço de guerra. Seu locutor principal, José de Souza Campos, acadêmico da Faculdade de Direito de Alagoas, contou com a ajuda de Josué Júnior.

A Difusora

Em maio de 1948, atendendo a uma cobrança do seu irmão, o senador e general Pedro Aurélio de Góes Monteiro, o governador de Alagoas, Silvestre Péricles, resolveu montar uma rádio em Alagoas. Mário Marroquim e Góes Ribeiro receberam a incumbência de realizar o projeto.

Silvestre Péricles, de terno branco, na inauguração da Rádio Difusora de Alagoas em 16 de setembro de 1948

Silvestre Péricles, de terno branco, na inauguração da Rádio Difusora de Alagoas em 16 de setembro de 1948

Como estava encontrando muitos obstáculos legais para viabilizar a rádio, Silvestre Péricles resolveu atropelar os impedimentos usando outros recursos. Mobilizou a Polícia para que trouxesse os bicheiros de Alagoas até ele. O principal bicheiro de Alagoas nesta época era Hegessipo Caldas.

Lotou a sala de despachos do Palácio dos Martírios de contraventores e falou para eles: “Preciso instalar uma emissora de rádio em Alagoas, mas os filhos da puta dos deputados estão me negando os recursos. Por isso, preciso que vocês metam a mão no bolso e arranjem a bufunfa”.

Duas semanas depois o dinheiro estava disponível e o governador pôde comprar os mais modernos equipamentos da época. Esta situação irregular somente foi resolvida cinco anos depois, no governo de Arnon de Mello, através da Lei nº 1.708, de 31 de julho de 1953, que oficializou a Rádio Difusora como autarquia estadual. Operava, então, com um transmissor Philips de 10 Kw e com prefixo ZYO-4.

Lima Filho, Sabino Romariz, Lima Neto, Elsa Montenegro, Jorge Amorim, Haroldo Miranda e Cláudio Alencar em 1958 na novela O Homem da Casa Vermelha

Lima Filho, Sabino Romariz, Lima Neto, Elsa Montenegro, Jorge Amorim, Haroldo Miranda e Cláudio Alencar em 1958 na novela O Homem da Casa Vermelha

Inaugurada no dia 16 de setembro de 1948, a Rádio Difusora funcionava em um prédio da Rua Pedro Monteiro, 108, antigo Jardim Infantil Ismar de Góes Monteiro, construção que hoje abriga o Cenarte da Secretaria de Cultura. Ficou conhecida com a Caçula das Américas.

No dia da inauguração, dois cantores famosos participaram da festa: Cauby Peixoto e Paulo Molin. O locutor que primeiro falou na Rádio Difusora foi Jorge Sá. No mesmo dia, as vozes de Odete Pacheco, Jesualdo Ribeiro e Aldemar Paiva também foram ao ar.

Logo após a sua inauguração, o governador Silvestre Péricles percebeu que a rádio tinha sido montada com recursos “particulares”, portanto não poderia ser uma rádio pública. Era o início de uma tentativa de transferir a Rádio Difusora para pessoas ligadas ao governo. Quem impediu a manobra foi o deputado Mello Motta, que fez uma verdadeira campanha para manter a rádio como uma instituição pública.

Rádio Progresso

Cantora Neusa Moreno e radialista Luiz de Barros

Cantora Neusa Moreno e radialista Luiz de Barros

Dez anos após a inauguração da Rádio Difusora, surge a Rádio Progresso de Alagoas, ZYL 25, que foi inaugurada no dia 15 de janeiro de 1958. Funcionava no 6º andar do Edifício Ary Pitombo, na Praça dos Palmares, Centro de Maceió.

Seu Diretor Geral, Castro Filho, convidou o radialista pernambucano Edécio Lopes para ser gerente de programação da nova emissora. O deputado federal Ary Pitombo era o seu proprietário. Esta rádio inicia o ciclo de emissoras de rádio de propriedade de políticos em Alagoas.

Atualmente é a Rádio Milênio AM 1320, de propriedade do deputado federal Givaldo de Sá Gouveia Carimbão.

Rádio Gazeta de Alagoas

No dia 2 de outubro de 1960 é inaugurada a Rádio Gazeta de Alagoas, AM, ZYL-21. Foi montada pelo empresário, político e jornalista Arnon de Mello, que já era proprietário do jornal Gazeta de Alagoas.

A famosa Rural da Gazeta e um grupo de radialistas

A famosa Rural da Gazeta e um grupo de radialistas

Uma novidade ajudou a impulsionar a emissora. A empresa adquiriu um automóvel Rural equipado com rádio transmissor de VHF, o que possibilitou a cobertura total dos grandes eventos políticos, policiais e esportivos que ocorriam em Maceió e localidades próximas.

Era o fato sendo relatado no momento que estava ocorrendo, dando maior credibilidade a sua programação noticiosa. Desta forma a Rádio Gazeta modificava, em Alagoas, o conceito de rádio AM puramente musical, tornando prioritária a informação e o esporte.

Rádio Palmares

Odete Pacheco comanda um programa de auditório na Rádio Difusora

Odete Pacheco comanda um programa de auditório na Rádio Difusora

No dia 8 de fevereiro de 1962, por iniciativa da igreja católica que resolve também ter o seu próprio meio de comunicação, surge a Rádio Educadora Palmares de Alagoas, instalada ao lado da Catedral Metropolitana de Maceió.

Nesta mesma época, também é implanta pela igreja católica a Rádio Paroquial, localizada no bairro do Vergel do Lago, mais precisamente nas dependências da Casa dos Pobres, pertencente ao Arcebispado. A Rádio Palmares de Alagoas é hoje a AM 710.

A rádio Palmares, depois, foi transferida para o ex-governador do Estado, José Tavares e, em seguida, para o Grupo Edson Queiroz (Sistema Verdes Mares de Comunicação, do Estado do Ceará).

Na década de 90, passou a ser administrada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia (por meio do Sistema Novo Tempo de Rádio – via satélite). Na sequência, adotou o nome de Rádio Paraíso, e passou a ser gerida pelo vereador e reverendo João Luiz. Por último, a concessão foi assumida pelo Sistema Jornal de Comunicação, que pertence ao empresário e ex-deputado federal, João Lyra.

Rádio Correio AM 1200

A rádio, quando entrou no ar nos anos 80, era a Rádio Manguaba do Pilar. Na década de 1990, foi vendida pela Fundação Educacional Jayme de Altavila (Fejal) e passou a ser chamada Rádio Jornal. Ao assumir o controle
acionário da emissora, o Sistema Costa Dourada negociou o nome (Jornal) com o Grupo João Lyra, que já detinha a marca em um impresso de circulação no Estado de Alagoas.

Rádios do interior

A Emissora Rio São Francisco de Penedo é a mais antiga rádio do interior de Alagoas. Foi inaugurada em 1959. Em 1960 entrou em funcionamento a Rádio Sampaio, em Palmeira dos Índios. Em Arapiraca, a Rádio Novo Nordeste foi a primeira rádio oficial da cidade. Foi fundada em 20 de agosto de 1976. (Esta pesquisa está aberta, novos dados serão acrescentados).

Rádios FMs

A Rádio Gazeta foi inaugurada no dia 1º de julho de 1978 com programação local. Depois vinculou-se à Rede Transamérica de Rádio e mais tarde à Rede Manchete de Rádio. A partir dos anos 80, voltou a ter a programação totalmente local.

A Rádio Jornal de Hoje surgiu por iniciativa do jornalista Jorge Assunção, que era proprietário do Jornal de Hoje. Foi inaugurada no dia 8 de setembro de 1979. A Rádio JH FM atualmente é a 96 FM.

A Rádio Educativa FM 107,7 entrou em funcionamento em 1986. A emissora faz parte do Instituto Zumbi dos Palmares. Valorizar os talentos nacionais com programas de alto nível, além de valorizar a produção local.

Umas das mais novas emissoras de Alagoas, a Rádio Pajuçara FM Maceió – 103,7 entrou em funcionamento em 2005. Transmitiu a programação, via satélite, da rede Antena 1 de rádio, com base em São Paulo; depois alterou o nome fantasia para 103 FM; e, por último, utiliza Pajuçara FM.

A Rádio 99, 1 FM pertence à Fundação Quilombo e se encontra locada, desde 2009, pela Igreja Universal do Reino de Deus – IURD. É mais uma afiliada da Rede Aleluia de rádio. Transmite parte da programação via satélite e complementa com programas locais.

CBN Maceió FM 104,5 é afiliada a CBN e funciona desde 13 de fevereiro de 2006. Sua programação é mesclada com programas locais e retransmissões da rede CBN, da Rede Gobo.

Em Alagoas, no final da primeira década deste século, existiam vinte rádios FMs e quatorze AMs respectivamente registradas, sendo cinco AMs e sete FMs instaladas na capital. Nove AMs e onze FMs no interior.

Fontes:
Livros Histórias do Rádio e Contando Histórias de Cláudio Alencar.
Site Difusora Memória http://www.difusoramemoria.com.br/p/historia.html.
Panorama do rádio em Maceió, de Lídia Maria Marinho da Pureza Ramires e Ricardo José Oliveira Ferro.
Rádio Difusora de Alagoas – a caçula das Américas a caçula das Américas, de Lídia Maria Marinho da Pureza Ramires e Ricardo José Oliveira Ferro.
Gazeta FM Maceió: da entrada tardia no cenário nacional de radiodifusão à adequação a novas tecnologias e programação musical popular, de Lídia Maria Marinho da Pureza Ramires e Ricardo José Oliveira Ferro.
Blog do Edimilson Marinho. https://edimilsonmarinho.wordpress.com/2011/07/04/rio-largo-e-a-primeira-emissora-de-radio-em-alagoas/.

9 Comments on A história do rádio em Alagoas

  1. José Amilton da Silva // 8 de junho de 2015 em 15:55 //

    Excelente matéria pois como ex-funcionário das rádios Progresso e Gazeta de Alagoas, desconhecia a verdadeira história de fundação destas emissoras.

  2. Eglaube Rocha // 15 de setembro de 2015 em 23:17 //

    Descobri por acaso,ontem a noite, 14/09/15, o site sobre a História de Alagoas para, depois, encontrar a história das rádios de Alagoas. Não se fala mais de histórias. Fiquei tão embevecido que entrei madrugada à dentro e fui até às 03:30 de hoje. Lembrei-me que colaborei com o programa de Odete Pacheco, na Radío Difusora, 1956/7 na sequência “A Carta que Não Foi Enviada”, quando adolescente e sonhador. Tempo que não volta mais. “Eu era feliz e não sabia”

  3. Eglaube Rocha // 16 de setembro de 2015 em 00:04 //

    Ticianelli: acabou-se meu prezado, o interesse do Governo de ter um secretário de educação e/ou cultura realmente dedicado à causa. Os atuais são fantoches, verdadeiras vedetas que só querem aparecer na mídia. Um peso para a sociedade que os paga, e caro, e não promovem meios de levarem ao público trabalhos de histórias da cidade como o seu site. Estou embevecido com o que leio no seu site. e depois de 60 anos fora, só agora estou conhecendo o meu Estado de origem e suas particularidades. Parabéns, não a você isoladamente, mas principalmente àqueles que estão tendo a oportunidade e o privilégio de conhecerem o passado de sua terra (como eu) e aos que estão recordando uma época que não volta mais. Um abraço com a minha admiração!
    Eglaube Rocha

  4. Paulo Cajueiro // 19 de outubro de 2016 em 07:43 //

    A título de contribuição, gostaria de informar que a Rádio Pajuçara FM, 103,7 na verdade iniciou nos anos 80, salvo engano em 1986, localizada no Bairro do Feitosa, tendo em seu cast Augusto César, Ednaldo Costa, Floracy Cavalcante, Bartolomeu Dresch, dentre outros. Chegou a ser 14 vezes primeiro lugar no Ibope. Depois é que ela veio a ser transferida para o PSCOM e se mudou para a Ângelo Neto no Farol.

  5. Ednaldo Costa // 28 de janeiro de 2017 em 11:36 //

    Bem lembrado amigo Paulo Cajueiro, vivemos bons momentos, a Rádio Pajuçara FM foi inaugurada em dezembro de 1985, no nosso time tínhamos Reinaldo Cavalcante, Antônio de Pádua, Cícero Almeida era operador de mesa,entre outros companheiros, só saudades – 14 vezes primeiro lugar no IBOPE.

  6. Jânio de Oliveira // 23 de maio de 2017 em 10:39 //

    FALEM DAS ONDAS TROPICAIS OT RÁDIOS GAZETA AM E EMISSORA RIO SÃO FRANCISCO DE PENEDO

  7. Valter Cavalcanti // 12 de setembro de 2017 em 04:44 //

    Sou pernambucano mas comecei e estreei em Rádio na minha querida Alagoas em Maceió, no dia 20 de novembro de 1999 na saudosa Rádio Progresso AM 1320 KHz com o Programa Festival do Sábado das 8h às 10h. Depois em 2001 fui para Rádio O Jornal AM 1200 KHz com o Programa Show do Domingo das 11h as 13h. Hoje moro em Pernambuco, já passei por várias emissoras aqui, mas a minha história radiofônica começa na terra dos Marechais. Um abraço a todos alagoanos minha segunda casa amo esse lugar e um dia voltarei.
    Radialista Valter Cavalcanti

  8. Sérgio Maia de Cerqueira // 5 de outubro de 2017 em 23:47 //

    Fico muito grato por postar a foto da primeira equipe de esportes da Rádio Gazeta de Alagoas comandada pelo meu saudoso pai Ricardo Cerqueira nos anos 60.

  9. Estive no Ceará e paraiba é impressionante o alcance dessa emissora. É preciso investir mais na pioneira

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