A festa do carro de boi em Inhapi

Carro de Boi no sertão alagoano

Carro de Boi no sertão alagoano

O carro de boi é um dos meios de transporte mais antigos do mundo. Há registros do seu uso entre chineses, hindus, egípcios, babilônios, hebreus e fenícios. Quando os europeus iniciaram a exploração da África e da América, o carro de boi era presença obrigatória na carga dos navios.

Tomé de Sousa, o nosso primeiro governador-geral, ao desembarcar na Bahia trazia consigo carpinteiros e carreiros práticos para a fabricação dos carros de boi. Salvador pode ter sido o primeiro núcleo urbano a ouvir um “cantador” por suas ruas.

Anos depois, a nascente indústria açucareira do Nordeste era alimentada por cana de açúcar transportada em carros de boi. Quando os sertões começaram a ser explorados, foram eles que transportaram as mercadorias para a implantação e desenvolvimento dos primeiros povoados.

Na volta para o litoral, traziam o pau-brasil e produtos agrícolas produzidos nas lavouras interioranas. Aos poucos também passou a cumprir o papel de transporte de pessoas ou fazer as vezes de carro fúnebre, ocasião em que a lubrificação dos eixos era maior para evitar o canto triste das rodas.

A partir de meados do século XVIII, as tropas de burros passaram a dominar os transportes de cargas por não exigirem a preparação anterior da trilha e por enfrentarem os terrenos mais inclinados sem maiores problemas. Em seguida, com as melhorias nas ruas das cidades, as carroças e carruagens puxadas a cavalo ocuparam os espaços dos carros de boi, que foram banidos, sobrevivendo nos povoados e na zona rural.

Com o aparecimento dos veículos motorizados, todos os meios de transporte movidos por animais entraram em desuso. Mesmo assim, em várias partes do mundo o carro de boi sobrevive pela força da tradição que alguns poucos artesãos insistem em preservar.

No sertão alagoano, essa tradição ainda é tão presente que influenciou, em 2009, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Inhapi, José Cícero, na escolha de uma festa para comemorar os 30 anos do sindicato que presidia.

Ele queria homenagear o meio de transporte que ajudou a construir a cidade de Inhapi. José Cícero lembra que até os tijolos para a construção da igreja foram trazidos por carros de boi, que também levavam o algodão produzido na região para a Fábrica da Pedra em Delmiro Gouveia, numa viagem de mais de dez horas.

A 1º Festa do Carro de Boi de Inhapi aconteceu no último sábado de julho de 2009 e se transformou num dos maiores eventos culturais do sertão alagoano. José Cícero recorda que esperava de 20 a 30 carros de boi, mas ficou surpreso ao constatar que 132 deles chegaram à cidade para a comemoração dos 30 anos do sindicato.

Em 2015, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Inhapi realizou a 7ª edição da festa com o apoio da Prefeitura, do Governo do Estado e da Nestlé, num reconhecimento da grandeza do evento e da sua importância cultural. Foram mais de 600 carros de bois e muitos shows, que atraíram aproximadamente 30 mil pessoas de toda a região sertaneja.

Atual prefeito do município (2015), José Cícero considera que a dimensão do evento é uma grande conquista dos sertanejos, mas a sua importância maior está em chamar a atenção para um tradicional meio de transporte, ajudando a mantê-lo vivo. “Realizamos a maior festa de carros de boi do mundo e a maior concentração de carros de boi do Brasil”, comemora José Cícero.

 

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*